Rebeldes Houthis e o uso de drones no conflito Árabe

Por Vinícius Junqueira – aluno Tech do 2o semestre

Nesta terça-feira, a Arábia Saudita informou que drones armados atacaram duas de suas estações de extração de petróleo à trezentos quilômetros da cidade de Riade, repetindo o mesmo incidente de julho de 2018.

O movimento rebelde Houthi (Yémen), de alinhamento Iraniano assumiu responsabilidade por ambos os incidentes, declarando como motivação as constantes agressões e bloqueios contra a frente rebelde no Yémen.

Os drones vêm sendo cada vez mais usados pelos Houthis em operações contra a coalizão saudita, e demonstram um nível crescente de sofisticação em seu uso, como demonstrado em uma operação de janeiro deste ano, onde um chefe de inteligência do Yémen e diversos oficiais foram mortos em uma base aérea após um drone equipado com bombas explodir sobre a delegação, na primeira instância de um ataque direcionado bem sucedido relizado por drones.

Um relatório das Nações Unidas submetido em janeiro mostrou evidências de que os drones produzidos localmente pelos rebeldes possuíam construção e capacidade quase idêntica aos drones Iranianos Qasef-1. Este modelo se utiliza de um GPS para se orientar e dirigir ao alvo, e usa diversas partes abertamente disponíveis no mercado internacional, uma tendência que vem crescendo com cada novo modelo de drone fabricado pelos rebeldes.

O novo fator possibilitante do sucesso deste ataque é o recente salto na capacidade de alcance proporcionado pelo uso da tecnologia de satélite, que possibilitam a transmissão de informações dos drones de volta para os operadores. O fato de que nem os rebeldes, nem as forças iranianas possuem satélites de comunicação conhecidos, indicam que estes dependem de espaços de satélites comerciais para executar suas operações.

Satélites permitem a movimentação de drones ao redor do mundo, mas eles também precisam de uma segunda estação de operadores com acesso à linha de visão do drone, analistas de voo e profissionais de comunicação para controlar a decolagem e pouso dos drones, por conta do inerente atraso nas comunicações de satélite, cujo pode ser fatal para um drone durante o pouso. O sucesso destas operações indica um alto nível de sofisticação no treinamento de manuseio e tecnologia das forças rebeldes.

Enquanto a coalizão saudita e as Nações Unidas indicam a intensão de retaliar estes ataques, é de suma importância que apesar disso, seja discutida a regulamentação do comércio irrestrito das partes usadas para a fabricação deste tipo de drone, assim como os termos de uso sobre redes de comunicação de satélite, visto que esta tecnologia está sendo militarizada e utilizada não somente contra tropas inimigas, mas também para ameaçar civis inocentes.

Fontes: 

https://www.reuters.com/article/us-saudi-oil-usa-iran/saudi-arabia-says-oil-facilities-near-riyadh-attacked-idUSKCN1SK0YM?il=0&utm

https://www.theverge.com/2019/5/3/18527205/drones-explosives-yemen-war-houthi-rebels-edge-violence-borders

https://www.usnews.com/news/world/articles/2018-07-18/houthis-attack-aramco-refinery-in-riyadh-using-drone-houthi-run-tv-station

https://reliefweb.int/sites/reliefweb.int/files/resources/N1800513.pdf

https://news.yahoo.com/saudi-led-warplanes-pound-yemen-rebels-pipeline-attack-083716864.html

https://www.aljazeera.com/news/2019/05/saudi-uae-coalition-carries-deadly-air-raids-yemen-sanaa-190516072613862.html