Streaming de Games

Apple lança em sua última convenção sua plataforma de games via streaming, chamada de Apple Arcade. Esse lançamento acontece praticamente uma semana após a divulgação do também serviço de streaming da Google, o Stadia.

Antes de mais nada, temos que reconhecer que as plataformas de console, XBOX principalmente, já vem trabalhando com a ideia de streaming de jogos há algum tempo. Mas ao entendermos que a base instalada de consoles é infinitamente menor que a quantidade de smartphones em funcionamento no mercado, podemos perceber quem tende a ter uma maior quantidade de usuários logo de partida. Segundo dados da PGB (Pesquisa Game Brasil) de 2018, cerca de 84% dos jogadores usam regularmente seus celulares para jogar, versus 46% nos consoles.

A ideia de jogos via streaming e sem a necessidade de comprarmos jogos caros, sejam eles de Mobile, console ou computador, parece bastante interessante e atrativa. Mesmo que um jogo nas plataformas móveis hoje tenham preços entre R$ 3,00 e R$ 10,00, poder jogar como hoje assistimos vídeos em um Netflix muda radicalmente o mercado de games, ou seja, por um valor mensal relativamente barato, teremos acesso à milhares de jogos. Uma quantidade de jogos que, na teoria, serve para agradar qualquer desejo dos jogadores.

Alguns pontos que devemos analisar com mais calma, principalmente quando falamos de Brasil.

O streaming de games está sendo pensado já com a implantação da rede 5G nos países desenvolvidos. Ou seja, nos é prometido jogarmos de qualquer lugar e a qualquer momento. A nova tecnologia de transmissão de dados deve alcançar até 20Gb/s. Mais que muita rede banda larga via cabo no Brasil. Nosso problema é acreditar que essa tecnologia virá rápido para nosso país, sem contar a preocupação com o preço que será cobrado e se a velocidade aqui será a mesma prometida lá.

Outro ponto importante é a lógica da indústria de hardware que, de certa forma, usa o software, especificamente os games, como forma de vender upgrades para os consumidores. Cada vez que uma nova geração de games surge, novas placas de vídeo são necessárias, por exemplo. A própria Apple trabalha desta forma com sua linha de smartphones. Novas funcionalidades que, segundo a empresas, precisam de melhores hardwares sempre entram nos aparelhos TOP de linha e não nos mais baratos. Temos que esperar para ver se o Apple Arcade irá funcionar em um iPhone 6, por exemplo.

Como paralelo ao que acontece no mercado cinematrográfico e fonográfico, o streaming mudou radicalmente o consumo e a produção. No cinema vemos a queda na audiência ano após ano, os pacotes de TV à cabo tem perdido espaço nas residências para os serviços de assinatura, etc. E a produção é moldada para esse novo formato de consumo, cada vez mais rápido e efêmero. Como ficarão os grandes estúdios de games (AAA) nesse cenário?

Ainda temos muitas perguntas. Mas não há necessidade de desespero. Tanto a Apple quanto o Google só devem lançar suas plataformas no final do ano.